domingo, 15 de fevereiro de 2009

Administração

Maximiano (2006) afirma que “o entendimento das forças competitivas de um ramo de negócios é fundamental para o desenvolvimento da estratégia”.
Assim, Serra, Torres e Torres (2004) afirmam que a análise do ambiente externo pode ser realizada por meio do modelo de cinco forças da competitividade, desenvolvido por Michael Porter na década de 70.
O modelo possibilita analisar o grau de atratividade de um setor da economia. Este modelo identifica um conjunto de cinco forças que afetam a competitividade, dentre os quais uma das forças está dentro do próprio setor e os demais são externos.
Ou, como afirma Aaker (2007), “a atratividade de um segmento ou mercado, medida pelo retorno de longo prazo sobre o investimento de uma empresa média, depende, em grande parte, dos cinco fatores que influenciam a lucratividade”.

Figura 8 - Representação gráfica do modelo de cinco forças de Michael Porter.
Fonte: WIKIPEDIA, 2007
Vamos agora à explicação detalhada do que representa cada uma das forças competitivas.
Rivalidade entre concorrentes
Serra, Torres e Torres (2004) afirmam que “a rivalidade entre concorrentes pode ser considerada a mais significativa das cinco forças”.
Nesta dimensão, deve-se considerar a atividade e agressividade dos concorrentes diretos. Quando diz-se concorrente direto, refere-se a empresas que vendem o mesmo produto, num mesmo mercado que a organização em questão.
Mas esta não é e única força a pressionar a competitividade das organizações, então vamos para as próximas forças.
Barreiras à entrada de concorrentes
Além de ser necessário observar as atividades das empresas concorrentes, a ameaça da entrada de novos participantes depende das barreiras existentes contra sua entrada, além do poder de reação das organizações já estabelecidas. (SERRA, TORRES e TORRES, 2004)
Estas barreiras seriam fatores que dificultam o surgimento de novas empresas para concorrerem em determinado setor. Segue agora algumas das principais barreiras a serem analisadas:
- Economia de Escala: atrapalha a entrada de novos concorrentes, pois as empresas que já produzem grandes quantidades podem reduzir custos, e novas empresas, que tenham que começar a vender pouco para depois crescer, possuem desvantagem de custos;
- Capital Necessário: outra restrição financeira, mas aqui refere-se à necessidade de capital para realizar os investimentos iniciais para a instalação do negócio. É um dos fatores mais relevantes para impedir o surgimento de novas empresas em um setor;
- Acesso aos canais de distribuição: se os canais de venda forem limitados, quanto mais as empresas atuais estiverem bem relacionadas (contratualmente) com os canais, menores as chances de novas empresas ganharem espaço.
Poder de barganha dos compradores
O poder de barganha dos compradores pode ser traduzido como a capacidade de barganha dos clientes para com as empresas do setor.
Esta força competitiva tem a ver com o poder de decisão dos compradores sobre os atributos do produto, principalmente quanto a preço e qualidade.
Assim, os compradores têm poderes se:
- As compras do setor são de grande volume;
- Os produtos a serem comprados são padronizados, e sem grande diferenciação;
- As margens de lucro do setor são estreitas;
- A opção de o próprio comprador fabricar o produto é financeiramente viável.
Estas são então algumas das características a se observar quando analisando o poder de barganha dos compradores.
Poder de barganha dos fornecedores
Já quando abordado o poder de barganha dos fornecedores, será uma ótica semelhante à barganha dos compradores, mas agora voltada ao fornecimento de insumos e serviços para a empresa.
Os fornecedores têm poder de barganhar quando:
- o setor é dominado por poucas empresas fornecedoras;
- os produtos são exclusivos, diferenciados, e o custo para trocar de fornecedor é muito alto;
- o setor de negócios em questão não tem representatividade no faturamento deste fornecedor.
Com estas questões em vista, cabe a empresa identificar a atual relação da empresa com seus principais fornecedores.
Bens Substitutos
Os bens substitutos representam aqueles que não são os mesmos produtos que o seu, mas atendem à mesma necessidade. Segundo Aaker (2007), não competem com a mesma intensidade que os concorrentes primários (mesmos produtos, mesmos mercados), mas ainda são relevantes
Aaker (2007) apresenta os sistemas de alarme eletrônico como substitutos para o mercado de vigilância, ou o e-mail como substituto dos Correios. Substitutos que mostram uma melhoria na relação custo/benefício, e quando os custos de substituição para o cliente são mínimos, devem ser observados com atenção especial.

ESTRATÉGIA DE FOCO
Para Michael Porter (1986), a estratégia de foco (ou enfoque, como na tradução oficial) significa enfocar em um determinado grupo de clientes, um segmento de produtos, ou um mercado geográfico.
Assim como na diferenciação, o foco assume várias formas. A estratégia de foco visa atender muito bem ao mercado determinado. A estratégia basea-se na condição de que a empresa é capaz de atender ao segmento específico mais efetivamente e também eficientemente do que os concorrentes que competem de forma mais ampla (PORTER, 1986).
A estratégia de foco tem a característica de poder atender a diferenciação satisfazendo melhor as necessidades dos clientes do segmento específico, ou com custos mais baixos que os concorrentes (e em alguns casos, ambos).
Porter (1986) diz que a organização que desenvolver com sucesso a estratégia de foco pode obter potencialmente retornos acima da média para seu setor. A estratégia de foco significa que a empresa possui ou uma estratégia de baixo custo, ou de alta diferenciação, ou ambas.
Assim como as duas outras estratégias genéricas, a estratégia de foco proporciona defesas contra cada uma das cinco forças competitivas, mas o enfoque pode ser usado para selecionar metas menos vulneráveis a bens substitutos, ou produtos em que os concorrentes são mais fracos.
A maior tendência que se percebe hoje são as empresas que utilizam da estratégia de enfoque. Um dos exemplos que tem ganhando espaço no país são os supermercados especializados, por exemplo, o supermercado diet, com produtos para pessoas diabéticas.
Estes supermercados possuem um arranjo físico semelhante a um supermercado tradicional, mas todos os produtos são diet, sem açúcar. Os preços praticados são mais altos do que qualquer outro supermercado, mas o público-alvo diabético encontra produtos com grande variedade, por exemplo, macarrão com diversos sabores e temperos diferentes, todos sem adição de açúcar.
Assim, o valor percebido pelos clientes que outrora tinham como opção apenas os supermercados tradicionais, e com apenas um único tempero diet, podem agora optar por macarrão com molho de carne, frango ou ervas finas.
Riscos
Porter (1986) afirma que a estratégia de foco apresenta riscos inerentes para e empresa a adota, que são os seguintes:
• o diferencial de custos entre os concorrentes que atuam em todo o mercado e as empresas que adotaram focos particulares se amplia de tal modo que elimina as vantagens de custos de atender um alvo estreito ou anula a diferenciação alcançadas pelo foco;
• as diferenças nos produtos ou serviços pretendidos entre o alvo estratégico e o mercado como um todo, se reduzem;
• os concorrentes encontram submercados dentro do alvo estratégico e acabam retirando o foco da estratégia.
Estratégia Genérica de Custo
Michael Porter (1986) afirma que a estratégia de liderança pelo custo total consiste em atingir a liderança total em um setor, através de uma série de políticas orientadas para atingir este objetivo básico.
Esta estratégia exige a construção agressiva de novas instalações com equipamentos eficientes, uma grande perseguição na redução dos custos através de funcionários qualificados, um controle rígido nas despesas gerais e administrativas, e a minimização nos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).
O custo baixo é o tema central desta estratégia, embora qualidade e atendimento ao consumidor não possam ser ignoradas. Uma posição de baixo custo permite que a empresa obtenha retornos acima da média, mesmo se houver um alto índice de competitividade (PORTER, 1986).
Normalmente ocorre-se uma confusão quanto à nomenclatura da estratégia estar ligada a custo, e não a preço. É que é este exatamente o foco da estratégia, possuir uma estrutura de custos que permita obter uma vantagem em termos de margem de lucro, em relação aos concorrentes.
Assim, pode ou não trabalhar um preço mais baixo, mas com o alto volume de vendas, obterá uma diferença significativa nos lucros (preço –custo = lucro). Fazendo uma relação com seu modelo de cinco forças apresentado no módulo anterior, a empresa que se utiliza desta estratégia pode obter lucros mesmo depois que seus concorrentes tenham consumido seus lucros devido à competitividade.
Michael Porter (1986) continua fazendo uma relação com seu modelo de cinco forças, dizendo que a posição de baixo custo defende a empresa contra compradores poderosos, pois estes só poderão barganhar seus preços até o nível do concorrente mais eficiente. O baixo custo também permite uma proteção do poder de barganha dos fornecedores, trazendo uma maior flexibilidade em relação aos aumentos no custo dos insumos.
E quanto às duas últimas forças competitivas, a estratégia de baixo custo cria barreiras de entradas a novas organizações, principalmente em relação à economia de escala. E se o custo for comparativamente baixo, normalmente também defenderá a empresa dos produtos substitutos concorrentes (PORTER, 1986).
Assim, a estratégia de liderança dos custos protege a empresa contra todas as cinco forças competitivas, pois a negociação só irá reduzir os lucros até o nível de custo dos concorrentes, e porque estes concorrentes irão sofrer as pressões competitivas inclusive antes (PORTER, 1986).
Mas para Porter (1986), atingir uma posição de custo total baixo quase sempre irá exigir uma alta parcela de mercado, ou outras posições vantajosas, principalmente acesso mais favorável às matérias-primas. A estratégia pode exigir investimento pesado de capital em equipamento atualizado, fixação de preço agressiva e prejuízos iniciais para consolidar uma parcela de mercado. E uma vez que a empresa tenha atingido a liderança total em custos, poderá obter margens altas, que podem ser reinvestidas em novos equipamentos e pessoal qualificado, que permite que a empresa mantenha a liderança em custo.
Um exemplo bastante elucidativo da estratégia por custo total é a entrada da Gol Linhas Aéreas no Brasil, que de maneira avassaladora (pelo menos para seus concorrentes), tomou o mercado das duas outras empresas comerciais, TAM e Varig.
Com a otimização das rotas aéreas, sistema de vendas na internet e redução dos serviços prestados no ar, a empresa reduziu drasticamente a quantidade de funcionários e de custos operacionais (entre manutenção de aeronaves e pessoal em solo), posicionando-se como líder em custos na aviação comercial no país.
Esta estrutura permitiu que a Gol inicialmente cobrasse um preço mais baixo que as concorrentes, e mesmo depois de 2 anos, quando as empresas conseguiram reduzir seus preços, a Gol manteve seus níveis de preço, mas com sua margem de lucro maior, cresceu vertiginosamente.
Riscos
Porter (1986) afirma que a estratégia de custos apresenta riscos inerentes para e empresa a adota, que são os seguintes:
• mudança tecnológica que anula o investimento ou o aprendizado anterior;
• aprendizado de baixo custo por novas empresas entrantes, ou por seguidores, por meio da imitação ou a capacidade de investimento em instalações modernas;
• incapacidade de ver a mudança necessária do produto ou no seu marketing, devido à atenção colocada no custo;
• inflação em custos que estreitam a capacidade da empresa manter o diferencial de preço suficiente para compensar a imagem da marca do produto em relação ao preço dos concorrentes.
Estratégia Genérica de Diferenciação
A segunda estratégia genérica segundo Porter (1986) consiste em “diferenciar o produto ou o serviço oferecido pela empresa, criando algo que seja considerado único, no âmbito de toda a indústria”. Quando utiliza o termo indústria, refere-se ao conjunto de empresas de determinado setor da economia.
Os métodos para obter a diferenciação são vários, sendo alguns deles: projeto ou imagem da marca, tecnologia, peculiaridades, serviços sob encomenda ou rede de fornecedores.
A diferenciação, se alcançada, é uma estratégia viável para se obter retornos acima da média em um setor, pois ela cria uma posição de defesa para evitar as cinco forças competitivas, mas de forma diferença que na liderança de custos (PORTER, 1986).
A diferenciação pode proporcionar isolamento contra os concorrentes devido à lealdade dos consumidores com relação à marca, como também à menor sensibilidade a preço. A lealdade resultante dos consumidores já serve também como um barreira à entrada de novos entrantes. A diferenciação também permite margens maiores, com as quais se pode lidar com o poder dos fornecedores, e também ameniza o poder dos compradores, devido à falta de alternativas comparáveis. Ao final, a empresa que se diferencia para obter lealdade estará mais bem posicionada em relação aos substitutos, até por que fica mais difícil substituir o que é diferenciado (PORTER, 1986)
Atingir a diferenciação pode, também, tornar impossível a obtenção de uma grande parcela do mercado, pois em geral requer um sentimento de exclusividade, que é incompatível com uma grande parcela do mercado. Mas, como no caso das estratégias de diferenciação citadas anteriormente, é possível um trade-off (vantagens em troca de desvantagens, de maneira que uma compense as outras).
Como exemplo de empresa que trabalha com a diferenciação, temos a Gilette. Atuando no ramo de barbeadores, investe muito em Pesquisa & Desenvolvimento, sempre com novos modelos sendo lançados.
Seus investimentos permitem que os produtos obtenham características físicas que os diferenciem dos outros barbeadores, promovendo um melhor corte no uso, sem irritação na pele.
Os produtos da Gillette são de 30 a 60% mais caros que os das concorrentes, e possuem boa parte da fatia de mercado de barbeadores no país, principalmente devido às suas características que levaram a uma construção da marca e conseqüente fidelização por parte dos consumidores, que optam por pagar mais pelos produtos.
Riscos
Porter (1986) afirma que a estratégia de diferenciação apresenta riscos inerentes para e empresa a adota, que são os seguintes:
• o diferencial de custos entre os concorrentes de baixo custo e a empresa diferenciada torna-se muito grande para que a diferenciação consiga manter a lealdade à marca. Os compradores sacrificam, assim, algumas das características, serviços ou imagem da empresa diferenciada em troca de grandes economias de custos;
• a necessidade dos compradores em relação ao fator de diferenciação diminui. Isto pode ocorrer à medida que os compradores se tornem mais sofisticados;
• a imitação reduz a diferenciação percebida, uma ocorrência comum quando o setor amadurece.
Estratégias Genéricas de Michael Porter
Segundo Michael Porter (1986), as empresas geralmente possuem uma estratégia, seja ela planejada ou não. No entanto, muitas vezes o plano apresenta falhas, pois o desempenho de uma empresa no mercado é dado por diversos fatores como: social, político, econômico, setorial, entre outros.
Assim, “o desenvolvimento de uma estratégia acontece entre a firma e o ambiente a que pertence” (Porter, 1986) e “o principal influenciador de uma empresa é o setor ou indústrias em que ela compete” (Porter, 1986). A estrutura das estratégias genéricas pode ser observada na figura abaixo:

Figura 17 - Estratégias Competitivas Genéricas
Fonte: WIKIPÉDIA, 2007
O mesmo autor afirma ainda que, para enfrentar as cinco forças competitivas em uma indústria, devem-se utilizar as estratégias genéricas citadas por ele. As estratégias são: liderança no custo, diferenciação e enfoque.
Estratégias de Segmentação de Mercado
Assim que foram levantados os diferentes segmentos em que se pode atuar, o próximo passo visa definir qual será o posicionamento em relação a cada um, e com que intensidade estes serão explorados.
Para facilitar a compreensão, optou-se por elaborar a figura abaixo, que representa, para fins didáticos, nove diferentes segmentos, a partir de diferentes critérios, cada um representado por um símbolo diferente.

Figura 13 – Segmentos de Mercado
Fonte: Kenneth Corrêa, 2007
Nos próximos tópicos, serão abordadas três estratégias de segmentação, que dizem respeito a como a empresa lida com os segmentos, após uma pesquisa e levantamento dos variados segmentos.
Serão abordados os temas de penetração e ocupação de mercado. Dias (2004) explica que penetrar em algum mercado significa estar presente nele, mesmo que de maneira pouco representativa, com uma pequena participação de mercado. Já a ocupação de mercado significa ter uma posição forte em um determinado mercado, significativa em termos de participação (fatia de mercado).
Quanto custa a felicidade
Arnaldo é um executivo bem-sucedido. Conquistou o que a maioria das pessoas quer na vida: dinheiro, sucesso, conforto material. Mas ele continua levando uma rotina estressante, que começa cedinho e se estende até altas horas da noite. Nos finais de semana, o celular não pára de tocar. Ele quase nunca tira férias. Não tem tempo para a família e sequer sabe o nome da escola do filho. Vive para a empresa e para ganhar dinheiro - mesmo que não precise mais, pois o que acumulou já é suficiente para criar seu filho tranqüilamente. De vez em quando, ele pensa em largar tudo e morar numa aldeia à beira-mar. Acha que seria muito mais feliz. Mas não tem coragem. A advogada Marta adora fazer compras. Seu programa predileto é passear no shopping admirando a vitrine das lojas. Sapatos? Ela tem mais de 20 pares. Casacos? Uns 15. A casa está cheia dos bibelôs que ela compra nesses passeios. Falta mesinha de canto para tantos enfeites. Seu afã consumista é ainda mais forte depois de uma briga com o marido ou da perda de uma causa na Justiça. Nesses dias, para se sentir melhor, ela compra tudo o que lhe agrada. Os presentes lhe dão uma sensação de alívio, de bem-estar. No momento em que está nas compras, ela se sente melhor e consegue vencer a depressão.

Arnaldo e Marta não têm lá uma relação muito saudável com dinheiro. Mas, quem é que tem? Quem sabe lidar com tranqüilidade com ele, sem se deixar levar por emoções? Pouca gente. Segundo estudiosos que adoram colocar as coisas em porcentagens, só uma em cada cinco pessoas sabe lidar bem com a bufunfa. Essa confusão acontece, dizem eles, porque nossa relação com a grana está calcada numa série de crenças, muitas delas equivocadas. Para alguns, só o dinheiro traz felicidade. Para outros, ele é uma coisa suja, indigna. Outros acham que quem gosta de dinheiro é ganancioso e interesseiro, ao passo que os puros de coração não estão nem aí para ele.

Mas culpar o dinheiro pelos dramas da sociedade seria como culpar os carros pelos acidentes de trânsito ou responsabilizar a cerveja pelo alcoolismo. Sozinhos, uma nota de cem dólares, um carrão esportivo ou uma garrafa de cerveja não fazem nada, nem bem nem mal. "O dinheiro em si é neutro. Ele pode trazer coisas boas, como a possibilidade de escolha, de liberdade e de independência, mas também gerar coisas ruins, como ganância, aprisionamento e destruição", diz a psicoterapeuta Denise Impastari, autora de O Julgamento do Dinheiro. "Tudo vai depender da forma como lidamos com ele", diz Denise. A forma como nos relacionamos com o dinheiro diz muito sobre nós mesmos.

Para o filósofo americano Jacob Needleman, professor da Universi-dade Estadual de San Francisco, na Califórnia, alguém só se conhece quando compreende o papel que o dinheiro tem na sua vida. Para ajudar nessa tarefa, alguns estudiosos criaram perfis baseados em estilos de se lidar com o dinheiro. Para a socióloga Glória Maria Garcia Pereira, autora de A Energia do Dinheiro, existem sete perfis principais, criados inconscientemente durante a nossa primeira infância. Entre esses grupos, destacam-se os equilibrados, que lidam bem com a grana. Para essas pessoas, o carro é um meio de transporte - que, sim, pode ser confortável, grande e seguro - , mas não é um símbolo de status. Mesmo com uma conta recheada, o equilibrado não usa sua riqueza para obter vantagens pessoais ou para se impor diante dos outros. O dinheiro não é uma fonte de poder. Ele pode ser usado para ajudar os outros, para fazer o bem à humanidade.

Mas os equilibrados são minoria. Segundo Glória, não ultrapassam 20% da população. O resto de nós perdeu de vista o significado original do dinheiro: um pedaço de papel ou metal, criado no século 7 a.C. pelos gregos para facilitar as trocas de bens entre as pessoas. É verdade que o mundo mudou muito desde então, não dá nem para comparar. E acabou que, hoje, passamos a enxergar no dinheiro coisas que não cabem estampadas nem em uma nota de cem dólares.

Auto-estima
"Dinheiro é uma droga. Ele pode nos dar a sensação de que somos melhores e mais importantes do que realmente somos", diz Needleman, autor do best seller O Dinheiro e o Significado da Vida. Isso acontece porque entregamos ao dinheiro uma parte de nossa auto-estima. Com as coisas que podemos comprar com ele - o carrão, a roupa da moda, o último modelo de celular - nós nos sentimos melhores, mais ajustados socialmente e aceitos por nossos pares. Quem nunca viveu a situação de se sentir pior por comparecer a uma festa com uma roupa inapropriada, por exemplo? Ou teve vergonha do Fusquinha 74 quando todos os amigos tinham carros do ano? É como se fôssemos piores por não podermos ostentar o que os outros têm. E, pelo contrário, quando temos dinheiro e podemos comprar tudo o que queremos, nós nos sentimos mais poderosos, mais fortes.

A riqueza virou uma medida do que somos. Já não somos mais avaliados por nossa sabedoria, nossa habilidade em criar bem os filhos ou pela capacidade de fazer o bem à humanidade. E isso importa tanto quanto o conforto que o dinheiro compra.

Segurança
Muita gente poupa compulsivamente, achando que sua segurança depende do número de dígitos da conta bancária. Até certo ponto, essa preocupação é natural. Afinal, temos os filhos para criar, a velhice por atravessar e as emergências para enfrentar. Mas pouca gente faz as contas para ter uma idéia de quanto vai precisar para isso tudo, e vai guardando, guardando, desesperadamente. "Algumas pessoas acumulam muito mais dinheiro do que seriam capazes de gastar numa encarnação inteira. Isso não faz sentido", afirma o mestre espiritual Sri Prem Baba, líder da irmandade Ordem da Luz, de São Paulo.

Essa busca frenética por segurança, no fundo, esconde uma tremenda falta de autoconfiança. A coisa é simples: se temos confiança em nós mesmos, se acreditamos que somos capazes de desempenhar bem uma função qualquer que nos garanta o sustento pelo resto de nossas vidas, não precisamos ficar poupando alucinadamente. E, assim, no lugar de buscar segurança no dinheiro guardado no banco, nossa segurança vem de nós mesmos.

Identidade
Antes de o mundo se tornar tão individualista, as pessoas se reconheciam pelo que eram, pelo que faziam ou sabiam. Mas, hoje, cada vez mais somos identificados pelo que temos. Assim, um empresário que se preze precisa ter um carro importado na garagem, andar com seguranças, ter uma casa no campo e outra na serra, viajar pelo menos uma vez por ano para a Europa e fazer festas inesquecíveis nas datas especiais.

Essas coisas constroem sua identidade de homem-rico-bem-sucedido. E, no final, boa parte de sua vida acaba sendo gasta na manutenção da aura de sucesso. Estranho.

Isso é tão importante que, segundo pesquisas em casas lotéricas, a maioria dos apostadores não almeja o prêmio máximo. Eles sonham em ganhar uma quantia suficiente para pagar dívidas e dar liberdade de escolha em relação ao trabalho. "Eles temem que o dinheiro mine sua identidade. Afinal, identidade é um conceito estabelecido a partir do lugar social das pessoas, por seus objetivos e lutas, e uma grande soma de dinheiro pode destruir tudo isso", diz o sociólogo escocês Nigel Dodd, da Universidade de Glasgow, autor de A Sociologia do Dinheiro.

O administrador de empresa Luiz Roberto Aguiar, de São Paulo, percebeu a arapuca em que estava se me- tendo e tomou uma decisão radical: vender sua Mitsubishi Pajero depois de colocar no papel o quanto gastava por ano com o carrão. "Vi que se andasse de táxi para todo canto ainda gastaria bem menos", diz ele. Para muita gente, que relaciona o carro a um símbolo de status, não seria nada simples tomar uma decisão como essa.

Aceitação
Para muitos, o dinheiro também é o caminho mais fácil para obter a aceitação de seus pares. Somente com o dinheiro, imagina-se, é possível conquistar afeto e ser admirado. A origem dessa confusão começa na infância, quando os pais substituem amor pelos presentes. A criança fixa a idéia de que afeto e dinheiro são a mesma coisa. E a sociedade de consumo reforça essa tese. Os comerciais correlacionam o poder financeiro à realização afetiva: é o celular que só garotas magrinhas usam, o desodorante que garante sexo animal e até a margarina que vem com uma família perfeita junto. Isso leva muita gente a acreditar que para ser aceita - e amada - precisa da roupa, do carro e do perfume certos. A gente nem percebe, mas, a não ser pelos pais, "esses caretas que não entendem nada", não há mais ninguém mostrando às crianças as coisas valiosas que não aparecem nas propagandas, simplesmente porque nenhuma empresa pode embalar e vender. Coisas como espontaneidade, nobreza de atitude, valores, amizade. Coisas que não custam nada, mas valem muito.

Dinheiro traz felicidade?
Parece piada, mas muitos economistas já se debruçaram sobre essa pergunta. E recentemente algumas pesquisas trouxeram respostas interessantes. O consenso entre os economistas até agora é de que, sim, o dinheiro traz felicidade. Os ricos, aparente- mente, são mais felizes que os mais pobres, mas... existem vários "mas", descobriram os economistas Richard Easterlin, da Universidade de Sou- thern California, nos Estados Unidos, e Andrew Oswald, da Universidade de Warwick, Inglaterra, que pesquisam o assunto separadamente.

Em primeiro lugar, essa relação tem limite. Depois de um nível básico em que as necessidades e alguns luxos estão atendidos, mais dinheiro não traz felicidade extra. "Uma vez que você já tenha dinheiro suficiente para assegurar seu bem-estar, qualquer centavo extra não traz uma gota a mais de felicidade, a não ser que ele seja usado para a satisfação dos outros", diz a psicóloga Denise Ramos, da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP). Além disso, o efeito de um aumento de renda ou do ganho de uma bolada tem duração limitada. "Paira sobre a humanidade a maldição de nunca estar satisfeita com aquilo que tem", diz Oswald.

Então, de onde vem a felicidade? Há alguns anos, junto com o professor David Blanchflower, Oswald calculou quanto valem, em dólares, algumas conquistas corriqueiras da vida, com base em milhares de entrevistas feitas na Inglaterra. Os números, evidentemente, foram estimados para um país rico, e devem ser vistos como são: tentativas de mensurar o imensurável, comparações matemáticas. Mas, se a moeda corrente é a principal medida do valor das pessoas hoje em dia, é bom você saber valorar algumas conquistas que a gente não leva em conta, quando faz as contas. Por exemplo, segundo os dois economistas, a felicidade de estar casado equivale a um aumento de 24 mil reais na renda mensal. Por outro lado, uma viuvez representa uma perda de 50 mil reais no salário."A importância dos relacionamentos para o bem-estar aparece com destaque nos levantamentos", afirma Oswald. No final, dos números brotou algo tão óbvio quanto surpreendente de se ver em estudos econômicos: a constatação de que a felicidade, afinal, vem dos contatos pessoais, dos relacionamentos, das atividades que se faz, enfim, do fato de viver. Quando o dinheiro é usado para viabilizar isso tudo, ele também traz felicidade.

Qual é o seu perfil?
Pão-duro - Ele tem medo de um dia ficar sem dinheiro e, por isso, guarda tudo o que ganha. Não vive o presente e deixa tudo para um futuro sem data. Essa atitude está ligada a alguma carência da infância, de afeto ou de alimento, por exemplo. No fundo, o sovina acredita que o dinheiro pode completá-lo, oferecendo o carinho ou o amor que não recebeu quando criança.

Gastador - Consumista compulsivo, para ele o que importa é o prazer do momento. Em geral, são pessoas com baixa auto-estima, que usam o dinheiro para construir a própria identidade e serem aceitas. A raiz desse problema pode estar em uma infância sem limites, em que a criança teve o que quis.

Escravo - Para ele, o dinheiro não é um meio, mas um fim. Ele só quer saber de acumular. A origem desse comportamento pode estar em uma educação severa, sem espaço para exprimir vontades e idéias pessoais. Quanto mais ganha, mais quer ganhar e, por isso, mas escravizado se sente. Pode estar relacionando o dinheiro à segurança e, ao mesmo tempo, ao poder.

Desligado - Não sabe bem quanto recebe, nem o valor das coisas. Emocionalmente imaturo e dependente do outro, o desligado tem sempre alguém que organiza sua vida financeira. A origem disso pode ser uma infância protegida, em que a criança recebia o que precisava sem pedir. Para essas pessoas, o dinheiro é uma coisa impura e indigna.

Confuso - Não sabe lidar com as próprias emoções nem com a dinâmica do dinheiro, baseada na troca. Costuma dar o que tem e o que não tem para entes queridos porque confunde afeto com dinheiro. É atormentado por carências afetivas e sentimentos de culpa. Para esse indivíduo, o dinheiro, além de um instrumento de troca, é o recurso principalpara ser aceito socialmente.

Raivoso - Fica irritado só de ouvir falar no assunto. A maior parte não sabe ganhar dinheiro e geralmente ganha menos do que gostaria. Neste perfil também se enquadram filhos de famílias ricas que não podem decidir de que forma usar o dinheiro, já que o controle da grana pertence ao pai. São pessoas que enxergam no dinheiro uma fonte de poder e realização pessoal. Eles acham que, na hora em que colocarem a mão na grana, seus sonhos se realizarão e eles atingirão um estado de plena satisfação.

Equilibrado - Gente que sabe o que quer e que trabalha para ganhar o necessário para fazer o que deseja. Os equilibrados são confiantes, conhecem os limites de seus desejos e de suas possibilidades e sabem lidar com a frustração. Mas não são passivos. Sabem dosar os gastos com a poupança para emergências. Como lidam bem com o dinheiro, sabem compartilhar com os outros e aproveitar a vida.

Yuri Vasconcelos
Fonte: Site Revista Vida Simples
Você pode ser seu problema financeiro
Qual é o seu problema? Por que fazer o dinheiro sobrar e trabalhar para você? Estas são algumas perguntas que comumente faço em apresentações e consultorias. A primeira, incisiva e objetiva, gera as mais diversas reações. A segunda, mais profunda e que envolve objetivos e metas pessoais, sempre vem acompanhada de um breve silêncio. Como você reagiria diante destas perguntas?

O texto de hoje discute o instinto de defesa que criamos diante de uma realidade adversa. Este instinto transforma-se na negação. Uma reflexão simples é capaz de explicar meu ponto de vista sobre a questão: quando procuramos, por livre e espontânea vontade, um pronto-socorro ou um médico, estamos aceitando (e assumindo) que temos um problema de saúde. Com o dinheiro, nem sempre somos tão sinceros e inteligentes. Por que?

Em casa, sempre aprendi que problemas sempre têm solução. Mais, aprendi que para resolvê-los é preciso enxergá-los, encará-los. Isso soa como simples obviedade, hipocrisia ou moralismo para você? Cuidado com as conclusões sobre sua própria capacidade de sanar seus problemas financeiros, pois é justamente a negação o maior perigo das famílias endividadas.

A negação é invisível e gradual
É muito mais fácil disfarçar um problema financeiro que um importante sintoma de saúde deficiente, não acha? Transformar o tema “dinheiro” em algo único e exclusivo de seus momentos em frente ao espelho pode ser muito perigoso. Quando estamos sozinhos, fica fácil criar justificativas para nossos recentes atos, além de falsas metas, esquecidas quando agimos em sociedade ou junto da família.

A negação tem outra característica ainda mais nociva: sozinhos, raramente percebemos que nossas decisões são capazes (e muitas vezes responsáveis) de atrapalhar nossos planos de longo prazo. O efeito gradual do “está tudo bem” nos impede de atacar as questões que colocam em risco a saúde financeira da família. O dia passa, a semana termina, o mês finalmente avança. Parece estar “tudo bem”. Parece.

Dave Ramsey, especialista norte-americano em finanças pessoais e criador da metodologia My Total Money Makeover, sempre faz o seguinte comentário em seus programas semanais, veiculados em diversas rádios de lá:

“É comum perdermos gradualmente nossa saúde física, mental e financeira. Soa como um cliché, mas isso acontece porque o inimigo do ‘melhor’ não é ‘o pior’. O inimigo do ‘melhor’ é o ‘está tudo bem’. Negar impede que possamos realmente enxergar os problemas”

Notou o uso da palavra gradualmente? É cômodo aceitar as coisas como elas estão, sem discutir as possibilidades de transformá-las. Inúmeros indivíduos encontram-se acomodados em sua zona de conforto, mesmo reconhecendo que ela não é confortável o bastante. Será que decidir mudar é tão mais difícil do que desistir de mudar? Infelizmente, sim!

Obstáculos e objetivos
Desistir de mudar! Acredite, este é o primeiro obstáculo de quem realmente precisa melhorar sua vida financeira. Qualquer tentativa de ajustar o orçamento doméstico, de investir melhor seu dinheiro serão meros modismos se não há razão para o esforço contínuo. Quando a questão não é apenas a quantidade de dívidas, mas também sua reação diante delas, a coisa fica mais séria.

Caímos, agora sim, na segunda pergunta lá do primeiro parágrafo. Por que fazer o dinheiro sobrar? Porque vale a pena. Porque criar oportunidades é uma opção disponível para todos. Porque é interessante. Porque é gostoso. Porque faz bem.

Preencher uma planilha de controle de gastos é uma tarefa fácil, embora trabalhosa. O verdadeiro obstáculo não está na complexidade das variáveis financeiras disponíveis no mercado ou nas ferramentas cada vez mais completas, mas no desinteresse pelo tema, vivido por grande parte da população. Ter razões suficientemente fortes para investir e poupar significa pensar no futuro da família. Sobreviver diante da frustração, causada por aquele desejo ainda não realizado, é sinal de maturidade.

Nenhuma ferramenta de apoio financeiro funciona sem que existam objetivos, metas e alguma maturidade. Minha experiência acrescenta ainda que coragem e acompanhamento constante evitam que a negação volte a assolar sua mente. Se tudo que escrevi parece óbvio, cuidado! Há muito mais psicologia na economia do que podemos acreditar. Ignorar isso é, de novo, dar abrigo à negação.

Conrado Navarro
Fonte: Site Dinheirama


domingo, 27 de julho de 2008

domingo, 27 de abril de 2008

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